Mas ficar com a manutenção do Brasil faz sentido para a Globalia?
Temos um grupo com actividades muito vastas. Conhecemos o funcionamento da manutenção, do handling, das companhias de aviação. Estamos por dentro de todos os negócios que a TAP tem. Mas agora é preciso dedicar tempo a analisá-los.
Que estratégia vê para a TAP se entrar no grupo Globalia?
Não gosto de predizer, nem de prometer algo que poderei não vir a cumprir. Nesses casos, prefiro não me pronunciar. A única coisa que peço é que a TAP e o Governo olhem bem para o nosso grupo, que vejam tudo aquilo que temos feito em Espanha e como trabalhamos. E que saibam, quando avançarem com a privatização, que a Globalia procura sempre a eficácia e a produtividade empresarial.
Mas manteriam a marca TAP, por exemplo?
Sim, claro. A TAP tem de identificar-se como tal. E há que fortalecer não só a companhia, enquanto empresa portuguesa, mas o próprio aeroporto. E nunca debilitar esses activos.
Saíram da Groundforce em 2008, em conflito com a administração da TAP. Este passado pode ser prejudicial à Globalia?
Defendo que tínhamos razão no conflito. Além disso, tivemos azar. Tínhamos uma boa estratégia para a empresa, mas o aeroporto de Faro foi invadido por low cost [que contrataram a Portway, empresa de handling da ANA concorrente da Groundforce]. Tivemos de manter, sem trabalhar e a pagar, mais de 500 pessoas durante dois anos. E a legislação portuguesa dificultava os despedimentos. Isso converteu-nos numa empresa com perdas, que teve de encontrar soluções. Não foi culpa nossa. Comprámos uma licença com determinadas condições que se alteraram a meio do jogo.
Mas também houve conflitos directos com a TAP sobre a gestão da Groundforce. Se comprarem a companhia vão manter a actual administração, que ainda é a mesma?
Foi uma situação complicada. Éramos maioritários, mas era a TAP que geria a empresa. Mas, para mim, o maior problema foi a situação em Faro.
Não respondeu se manteriam a actual administração.
Ainda não consigo responder a essa pergunta.
Como avaliam o facto de o Governo continuar a adiar uma decisão sobre a privatização?
O Governo é que tem de saber o que fazer. Da nossa parte, até que nos digam qual é o caminho, não posso pronunciar-me.
Poderá ser mais difícil a um investidor espanhol ficar com a TAP por causa dos riscos de transferência do hub de Lisboa?
É impossível isso acontecer. O mercado que voa através de Lisboa vai para outros destinos, como o Brasil ou Angola. Não vão querer voar até Espanha para depois seguirem a sua viagem.
Está a dar uma garantia de que o hub será mantido?
Se comprar a TAP, a Globalia não irá mudar o hub de Lisboa para Espanha porque é um activo que não pode ser transferido. O que se pode é potenciá-lo.
A Globalia está a analisar mais alguma oportunidade de aquisição no sector da aviação?
Não. Estamos concentrados na TAP porque sentimos que há aqui uma oportunidade. Mas ainda estamos a falar de uma hipótese que não é clara.
Têm recebido contactos do Governo ou há alguma reunião marcada sobre este tema?
Não.
Por que não demonstraram interesse na TAP na primeira tentativa de venda, em 2012?
Não era o momento certo. Estávamos em plena crise e mais focados em reestruturar o nosso grupo e torná-lo eficiente. Agora que já ultrapassámos essa fase, é o momento certo para comprar a TAP. Estamos mais fortalecidos empresarial e financeiramente.
Como está a correr a operação da Air Europa em Portugal e quais são os planos?
Está muito bem. Iniciámos os voos no Porto e aumentámos a oferta em Lisboa. Pouco a pouco, iremos reforçar a operação. Estamos muito satisfeitos com o desempenho, assim como com a actividade da agência de viagens Halcon.»
Raquel Almeida Correia, artigo publicado no jornal “Público“
(10 Novembro 2014)
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